Já escrevemos de forma extensiva sobre os múltiplos fatores que levaram o fracasso da indústria nacional páginas atrás, mas temos um ponto massivo que não mencionamos, e isso aplica mais dos anos 2010 em diante, e isso é a própria mídia local:
A mídia local que prefere dar holofotes a projetos de qualidade duvidosa e levou a infâmia de jogos como 171 e Trajes Fatais.
A mídia local que prefere esfregar para debaixo do tapete erros do passado e encoraja a serem repetidos.
A mídia local que prefere ignorar produtos locais que fazem tremendo sucesso lá fora para focar no circlejerk do fracasso.
No final Feperd, JV, SgtMarkIV, rdein e muitos estúdios menores que conseguem publishers no exterior e quase não tem holofote da mídia local não ajudam na narrativa principal:
Produto nacional precisa enaltecer a cultura nacional.
Produto nacional precisa da participação de celebridade local.
Produto nacional precisa mostrar a necessidade de financiamento estatal.
Eu já tinha abordado esse assunto em um comentário prévio meu: A identidade cultural forçada através de circojeca memável com prazo de validade. E o pior é que nem pra fazer um jogo com identidade cultural decente esse pessoal pensa em fazer.
Um exemplo do que eu falo: Um jogo com uma mistura de mecânicas do Assassin's Creed e RDR que se passa no sertao nordestino na época do cangaço ou no interior de SP na época dos tropeiros ou até mesmo em épocas contemporâneas tais como Ditadura Militar, Era Vargas ou o período atual. Porém, com personagens que tenham histórias próprias e carisma ao invés de serem avatares genéricos com roupas genericamente brasileiras em um ambiente genericamente brasileiro e é justamente nesta parte que os devs brasileiros ou tem preguiça de trabalhar em cima ou não tem competência para tal. Inclusive, se for revisar a história do
Mercado de Juegos Brasileño™, nem os melhores jogos parecem atender este requisito.
RDR tem sua fanbase não por ser apenas um jogo americano shoot 'em up genérico que se passa no Velho Oeste. Ele tem história, personagens, desenvolvimento dos mesmos, missões que fazem sentido e que sao estruturadas e gameplay dinâmica e funcional.
Yakuza tem sua fanbase não por ser apenas um jogo japonês beat 'em up genérico que se passa no Japão moderno. Ele tem história, personagem, carisma e gameplay dinâmica e funcional.
E nao que isso seja um bom parâmetro ou prioridade na hora de desenvolver um jogo mas os shitposts com os memes feitos sobre o Yakuza são bem mais toleráveis, menos cancerígenos e melhor lembrados do que um Zueirama da vida cujo o foco é ser um shitpost defasado onde você só clica pra direita pra ganhar a porra do jogo.
Agora, falando sobre o problema da "mídia local": Se por "mídia local" você se refere a YouTubers como Davy Jones, Nobreza, Gigaton, Assopra Fitas e outros que pagam vale de gamer raiz, poderia até ser o caso antigamente, mas, atualmente, há meios de comunicação melhores que esses aí ou simplesmente basta que os devs saibam fazer marketing do jogo.
Hoje em dia um dev indie pode ir em um dos trocentos podcast plim plim que tem por aí promover o próprio jogo.
Fora isso, é só a consequência natural de uma indústria que favorece quem é da patota ou quem faz mais barulho. Sem contar que, como já mencionei antes, tem muito game aí que tá me cheirando a empresa lavando dinheiro. Até porque Itaú e Magazine Luíza não tem histórico sequer de patrocínio de eventos tais como BGS e só agora tão injetando dinheiro em projeto que fica só na promessa. Principalmente quando o negócio envolve até o BNDES.
Dá só uma olhada neste infográfico
aqui e me diga se o
Brasilianischer Spielemarkt™ parece um mercado que está faturando com jogos digitais ou se é dinheiro sendo realocado.
O governo de repente dar moral pra uma área que nunca teve interesse só significa uma coisa: Tem gente orquestrando esquema e tem gente recebendo remessa nessa história.
Sem contar que se depender da "mídia local" ou do
巴西游戏市场™ os estúdios perecem no esquecimento e existem mais oportunidades nos mercados estrangeiros.
Mas o que Bagdex e Kaardik tem que Pokemon Uranium não tinha?
Chupação de e-celeb e protagonista estereotipado.
Pra ser sincero, o pessoal que desenvolveu Pokémon Uranium cutucou o ninho de vespa que é a Nintendo usando produto com direito autoral. Bagdex e Kaardik conseguiram contornar isso.
Sem contar que é mod. Se disso saísse um Pokémon-like com personagens e história própria (que nem o Spark que é um Sonic-like) aí eu levaria em consideração.
Produto nacional precisa enaltecer a cultura nacional.
Produto nacional precisa da participação de celebridade local.
Produto nacional precisa mostrar a necessidade de financiamento estatal.
Tal qual as músicas da época dos militares exaltavam as riquezas
exploráveis naturais pra alienar a macacada, a mídia exuma o espírito ufanista desta latrina do caralho pra incentivar essa nossa indústria fajuta que até então só se mostrou mais uma mamata na teta do governo.
Se caso o povao questionar é só fazer gaslighting e dizer que o
Бразильский рынок игр™ não desenvolve por causa do "vira-latismo" do brasileiro.
Apesar da grande negatividade que demonstro nessa thread que eu fiz, eu realmento torço pelo sucesso de alguns jogos nacionais, entre eles o Mullet Madjack e o Pipistrello (o segundo principalmente pela ganância do estúdio de Shovel Knight, mas não é relevante a essa thread).
Mas no espírito dessa thread, eu também quero assistir de camarote a implosão da Dumativa e a cara de pau de mostrarem um" Zeebo 2.0" com um possível remaster de Incidente em Varginha como grande lançamento, há pelo menos algo que me entretenha nesse eterno dia da marmota que vivemos.
Que todos os jogos nacionais decentes encontrem seu abrigo no mercado estrangeiro pois lá eles tem mais reconhecimento do que aqui.
O cuzileiro merece 171, Trajes Fatais, Enigma do Medo, Bagdex, Ruff Ghanor e outras merdas que só desgastam esse mercado falido que nós temos. E que os estúdios peguem todo dinheiro que captaram e gastem tudo com puta e drogas enquanto o pardileiro anseia por um mercado BR desenvolvido do mesmo jeito que o eleitor médio anseia por um país melhor votando em caudilho e demagogo.
Mesma coisa com metal BR: Você tem bandas que trazem algo de interessante e você tem banda que toca o mesmo feijão com arroz numa indústria que caga e anda pra cena nacional. Sepultura se tivesse ficado em BH tocando pra mesma gravadora esperando reconhecimento nacional ia ser só mais uma banda no catálogo de um hipster tr00zão que só ele conhece.
Somos bostileiros e não vencemos nunca.