Eu acho interessante que o Max Payne 3, um jogo que se passa no Brasil e é feito por gringos, é uma das representações mais realistas do país no mundo dos jogos.
Enquanto isso, jogos que se passam no Brasil feitos por próprios brasileiros conseguem ter um cenário mais genérico e estereotipado do próprio lugar onde vivem.
Eu já tinha comentado isso em algumas páginas atrás: os estúdios gringos têm toda uma organização por trás de fazer um jogo que envolvem quase o mesmo processo de fazer um filme.
Esses tempos atrás estava assistindo Full Metal Jacket, um filme que fala sobre a Guerra do Vietnã onde as cenas que seriam das batalhas no Vietnã foram filmados na Inglaterra.
Decidiram importar algumas palmeiras para dar um aspecto tropical no ambiente, foram em alguma parte abandonada da cidade cheia de prédio caindo aos pedaços e fizeram as cenas onde se passariam no Vietnã lá.
Só que pra fazer isso têm o pessoal responsável pela dita "referência" que seria uma forma de você ter uma base real de como seria um ambiente, um uniforme, uma situação, etc. para poder passar isso para a produção.
Para fazer Max Payne 3 o pessoal responsável pela referência deve ter viajado até o Brasil para ver de perto como que é uma cidade brasileira.
O brasileiro, nem se ele tivesse recurso para isso, se daria ao trabalho. Até porque, de certa forma, lá na gringa é comum o pessoal que trabalha em estúdio de jogos ter formação em artes, música ou algo assim porque, desta forma, se consegue atrelar uma tarefa como compor uma música, escrever um roteiro ou desenhar um ambiente para este pessoal enquanto que o pessoal da programação faz o principal.
É assim que se surgem jogos como Resident Evil, Silent Hill, etc. É o pessoal da direção artística que conversa com o pessoal da programação e vê o que dá para fazer. É óbvio que com a tecnologia de hoje não existe muita limitação, mas na época do PS1, por exemplo, havia muita limitação de hardware e o pessoal tinha que arrumar um jeito de improvisar e, deixando a mecânica de lado, um programador dificilmente tem formação em artes ou música, então assumir uma tarefa de correr atrás de referência artística iria sobrecarregar ele.
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Ah, mas da para meia dúzia de gente fazer tudo isso. É só ver o pessoal da comunidade indie."
A não ser que o projeto seja algum shovelware, ou algo bastante simples, nem rola fazer isso.
É só ver o recém-lançado Kriophobia: 12 anos de desenvolvimento que, com certeza, a maior parte do tempo foi por causa de gente sobrecarregada de trampo e sem muita ideia do que fazer, para lançar o jogo e resultar em flop.
De certa forma, o brasileiro ainda enxerga jogos como algo não tão artístico como filme ou livro. Ele ainda está preso naquela mentalidade antiquada de jogos serem menos do que arte, que se manifesta através do resultado final: um jogo chocho e sem sal que é esquecido no mês seguinte.
Eu quero ver o que vai ser de 171 quando lançarem esse jogo.