Bem, o que mais vejo de povos com culturas ricas é criatividade, criar algo novo, mesmo usando partes da sua própria cultura para ser original, e o que vemos em Terra Brasilis? Repetição e reprodução 1:1 de mais do mesmo, sempre índio, cangaço e favela
Eu teorizo que isso tem algo a haver com as obras literárias brasileiras do final do século XIX pro início do século XX. Como a leitura era algo mais focado na elite da época, que era a única parcela da população que era alfabetizada, então se usava de realismo excessivo que, provavelmente, tinha como objetivo denúncia dos problemas sociais ou crítica social ou dramaturgia, coisa que eu imagino que era algo bem reservado às camadas mais altas da sociedade na Europa pós-Iluminismo.
O Brasil como sempre se meteu à besta de imitar tendências estrangeiras e, na época, antes de imitar as tendências americanas, a sociedade brasileira imitava as tendências europeias (mais especificamente francesas). Tanto é que a classe artística brasileira foi moldada em cima da classe artística francesa e isso refletiu na arquitetura, na literatura, na pintura, etc.
A coisa só teria mudado no início do século XX quando autores como Graciliano Ramos, Aluísio Azevedo, Rachel de Queiroz começaram a focar em algo mais "popular". O problema é que eles seguiram a mesma cartilha do pessoal que escrevia para a elite e abusaram daquele realismo dramaticamente monótono junto com um vocabulário pedante e isso meio que virou a norma. Se hoje a classe artística é uma panelinha, imagine naquela época.
o pouco do conteúdo brasileiro que é reconhecido nacional e internacionalmente, a obra É brasileira, e não de BRASIL
Exato. É o caso do Tropa de Elite 1 e 2 que, na minha opinião, deveriam ter ganho o Oscar de Melhor Filme Internacional. Ainda mais porque não tem romantismo de porra nenhuma nos dois filmes, somente a realidade cruel esfregada na cara.
Inclusive, já que eu falei do Tropa de Elite, vou dar exemplo do que você falou usando a cinematografia: depois da estreia do primeiro Tropa de Elite, um diretor amador chamado Elias Júnior resolveu juntar meio milhão de reais para fazer um filme baseado na ROTA, que seria o equivalente paulista do BOPE, de forma independente. O filme em questão chama-se "Rota Comando".
É um dos piores filmes policiais que você poderia perder o seu tempo assistindo e, pessoalmente, se eu fosse policial da ROTA, ia entender o filme como uma afronta de tão ruim que é. A atuação é nível Hermes & Renato, a mixagem de áudio é uma bosta porque só usaram o microfone da câmera pra captar som, a história tem eventos que não mudam em nada no enredo, os personagens tem diálogos toscos e caricatos e mais um monte de merda. No entanto, o objetivo do diretor não era fazer um filme, apesar do seu ofício, e sim, fazer uma propaganda exaltando a ROTA.
E da mesma maneira que o Elias Júnior se prestou a fazer uma porcaria de filme só pra enaltecer um batalhão de polícia, os game devs brasileiros se prestam a fazer jogos medíocres só pra enaltecer a "cultura" brasileira que não passa de uma caricatura. E ambos tem algo em comum: querem ser levados a sério e recebem esculacho ou indiferença como resposta. Nada mais justo, pra ser sincero.
exemplo bem óbvio é Turma da Mônica, é uma obra brasileira ambientada em um local fictício no Brasil, mas não fica preso a regionalismo e retratismo
Porque os personagens tem personalidade própria ao invés de serem meros avatares de alguma ideologia. A primeira coisa que todo mundo associa aos personagens principais são suas características e não o fato de serem crianças brasileiras.
sem contar também as bandas de metal do país... tenho certeza que as músicas costumam ter temáticas amplas, claro que devem haver algumas que se baseiam na realidade nacional, mas não é o padrão.
Metal nunca foi exatamente consolidado pela indústria fonográfica e pela mídia aqui no Brasil. De um lado, Metal no Brasil é e sempre foi impopular, mas, por outro lado, foi um gênero musical que foi poupado da representação caricata nacional que é a tendência na mídia.
Inclusive, Elis Regina junto com aqueles pau no cu do MPB queriam impedir o comércio de guitarras elétricas no Brasil durante a década de 60 pois não queriam que a música brasileira fosse "americanizada". Pelo menos os militares fizeram o favor de botar esse bando de boêmio drogado pra correr. Hoje, quase ninguém lembra desse gênero de merda que é um porre de escutar. Compare Jimi Hendrix a Roberto Carlos, Elis Regina, Caetano Veloso e veja com quem você se impressionaria mais, principalmente na década de 60. E se rock não é muito sua praia, ouça Steely Dan que dá de 10 a 0 neste artistas bostileiros. O único que se salva nesse meio é Raul Seixas.
Hoje é só ver a merda que é a indústria fonográfica brasileira: tomada ou pela máfia do narcotráfico através do Funk ou pelos coronéis do agro através do Sertanejo.